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Tecnologia da Blogger.

Hades Moon Chronicles


Crónicas. Poemas. Pensamentos.







SUSANA VITORINO NUA

E porque hoje é Domingo, dia de missa pela manhã, apetece-me escrever de uma forma pouco católica...

O blogger está cada vez mais modernaço. É um facto. E dentro das facilidades que nos vai concedendo para espalharmos palavras, pensamentos, sentimentos, emoções, erupções e outras flatulências mentais, criou a opção: Estatísticas. Muito bem.

É sempre interessante perceber que tipo de artigos as pessoas procuraram mais, quem são os nossos leitores, de onde vêm, de onde acederam, de que parte do mundo, o que mais lhes chamou a atenção, como chegaram até aqui, no fundo.

Quando fui ver as minhas estatísticas do blog, percebi que havia um texto que batia todos os outros aos pontos, e de longe. É uma prosa poética e chama-se: Mulher Nua Sobre o Cinzeiro - Amor sobre Tela. É, assumidamente, uma declaração de amor, bastante íntima e pessoal.

Uau! Pensei do alto da minha ingenuidade! Gostaram mesmo da minha prosa poética! Deve ter tocado fundo na alma de quem o leu. Deve ter criado algum frissom, algum tipo de identificação profunda. No entanto, uma dúvida me assaltava: porque carga de água é que, tendo sido um texto tão visto, ninguém terá deixado um comentário? Despachei-me a arranjar justificações. Bom... talvez os leitores tenham sentido que era tão pessoal, tão pessoal... que se tenham sentido inibidos a comentar a intimidade daquelas palavras e daqueles sentimentos...

Coitadinha de mim! Estou a escrever e a ter uma enorme vontade de rir de mim própria!

Quando aprendi a explorar um pouco mais isto das estatísticas do blogger, percebi que também nos mostrava quais as palavras chave pelas quais as pessoas pesquisam no google  e que as pode trazer aos nossos blogs. Eis senão quando, descubro que havia três palavras pesquisadas em barda que tinham trazido "leitores" a este blog. A saber: SUSANA VITORINO (o meu nome de guerra para o mundo) e... NUA. Hélas!

Procuravam por mim, nua, no google. O meu ser intelectual ficou devastado. Então, uma "ssoa", mais que exprimir-se, expreme-se toda a criar poesia, a dizer o que lhe vai nas entranhas e  há malta que me quer ver nua?!

Respirei fundo. O meu Ego sorriu e disse: "Vá, não sejas tão fundamentalista! Aínda procuram por ti nua na internet. Daqui a cinco ou dez anos já ninguém te vai "googlar" por aí. Relaxa e diverte-te!"

A verdade, é que a maior parte das vezes, me esqueço que apareço num objecto ao qual chamam a "caixinha mágica". Ao fim de quinze anos aínda me esqueço que o público, na sua maioria ainda mistura ficção com realidade, o actor com a personagem. E olham para nós, actores, na rua, como se fossemos uns seres estranhos que não têm direito a existir na (pelo menos) tridimensionalidade.

Para todos aqueles, ou aquelas, que me procuram nua na internet, não tenho notícias muito animadoras. Por vários motivos:

- Nunca posei para nenhuma revista masculina - o que corta logo em  quase 100% as hipóteses de me encontrarem essa nudez.

- Já fiz cenas de sexo em trabalho, mas nunca nada que se parecesse com o filme Nove Semanas e Meia (os mais jovens podem ir ao imdb pesquisar para saber o que é...)

Quando se "googlava", há algum tempo, o meu nome, a primeira coisa que aparecia é uma cena minha em lingerie, tirada de contexto, de uma série cómica que fiz chamada: O Prédio do Vasco. Há um comentário excepcional que diz: 

"a koisas ke n se percembem... como é ke ela consegue ser de cara feia mas com mamas e pernas de kualidade superios a muitas. 3 Estrelas" (retirado letra por letra)

Isto sim, é poesia. Mistérios da vida! O que eu não percebo é como é que se escreve assim. Isso sim, um verdadeiro mistério. Com uma gramática e ortografia deste calibre, as minhas mamas de "kualidade" passaram logo para segundo plano.

Quem descobriu esta relíquia, na altura, foi uma aluna minha. Ficou indignadíssima. :)

Como sou simpática, deixo-vos aqui uma listagem de cenas onde podem ver algo da minha nudez. Mas, por favor, se encontrarem, enviem-me. Dá-me muito jeito para construir o meu showreel.

- A cena em lingerie de O Prédio do Vasco. Primeiro episódio. Com o meu querido Pedro Alpiarça, que eu desejo tenha encontrado a Paz, o Descanso e a Iluminação que procurava.

- Uma curtíssima cena no telefilme Querida Mãe, com a grande actriz Glicínia Quartin, que também já não está entre nós.

- Uma cena de amor em O Primeiro Amor, com Eurico Lopes. Bonito contraluz. Os meus agradecimentos ao realizador Lourenço Mello.

- Uma cena de amor com Pedro Lima em Olá Pai.

- Uma cena erótica (fantasia da personagem Tommy) em Rebelde Way, com Tomás Alves.

- Uma cena de sexo numa curta metragem chamada Flash (não está no mercado).

Assim de repente, que me lembre, é tudo. As beijocas não contam, ou contam?! Se contarem avisem... porque assim a lista aumenta. Não estarei  é desnudada. Cinema nunca fiz, por isso escusam de procurar. No teatro... bom, o teatro não conta, não é verdade? Por isso não vale a pena mencionar as cenas eróticas ou sexuais no teatro.

Não só tive o privilégio de contracenar com bons actores, como, e acima de tudo, com cavalheiros. E mais, com aqueles que são considerados dos maiores galãs do nosso firmamento de estrelas. Ain't I a lucky girl?!

Trabalhamos para o público. Pelo menos, eu trabalho para o público. O carinho das pessoas na rua é muito bem vindo e serve também de "estatística", de barómetro sobre o nosso trabalho. Mas fiquem sabendo, que é muito desagradável falarem de nós, ao nosso lado, como se não estivessemos a ouvir, como se não existíssemos.
Os actores são de carne e osso. Têm dias bons e dias maus como o comum dos mortais. Cagam e mijam como toda a gente. Desculpem o vernáculo, mas às vezes um bom vernáculo ajuda a desmistificar as projecções Neptunianas não vividas. :)

Gosto sempre de desmistificar estas coisas. Aliás, quem já passou pelas minhas aulas sabe disso. É das primeiras coisas que faço, sem dó nem piedade. Desmistificar o glamour.

Para quem não tenha noção, também, aqui fica mais uma dica. As cenas de sexo e de porrada (Marte a bombar!) são aquelas que ninguém tem especial prazer em fazer. São difíceis e constrangedoras. E, aquilo que se vê no écrã, está a ser assistido por umas trinta pessoas em estúdio. :)
Se aqueles/aquelas que me procuram nua na net, vieram dar a este post e conseguiram lêr até aqui, parabéns! O título do post não foi inocente. Aliás, foi escorpionicamente propositado. Se me querem ver despida, é aqui. Estarei sempre mais despida em tudo o que escrevo do que em qualquer capa de revista, ou cena televisiva.

E quanto ao trabalho de actor em geral, com cenas de sexo ou sem elas, como costuma dizer Harrison Ford: "It's just another day at the office!"

Ah! Só mais uma coisinha... O beijo técnico, é um mito. :)

Até ao próximo apeadeiro :)

Susana Vitorino




Saturno em conjunção com Plutão

"I need a vacation", diz o Terminator Schwarzenegger em jeito de graçola depois de estar quase todo desmembrado.

Este texto reflexão que agora inicío foi-me inspirado por um post de António Rosa, aínda há pouco, sobre esta temática, no seu blog Cova do Urso.

Perceber os nossos padrões mais arraigados e empedrenidos não é tarefa fácil. Mesmo quando os conseguimos perceber, quer por termos passado voluntariamente (ou não) por um processo terapeutico, seja ele de que tipo for, quer  seja apenas porque "God works in mysterious ways" e o Universo tem sempre uma forma de nos mostrar o que não queremos ver. Ou não conseguimos.  Ou não sabemos pura e simplesmente ver, pois se não temos consciência dos nossos padrões só poderemos começar a desconfiar quando eles se repetem quase ininterruptamente. E mesmo assim... podemos sempre negar tudo, pedir a presença do nosso advogado e achar que é tudo uma cabala... Cósmica. Ou Cómica! Dependendo do dia, da hora e da disposição com que encaramos estas coisas.

A geração de Saturno em Conjunção com Plutão, é a geração do meu pai. A geração que foi à Guerra. A Guerra Colonial. Aquela guerra surda da qual ninguém fala. E se pouco ou nada se fala dela... é porque também é muda. E mudou certamente a vida daqueles que por lá estiveram, e àqueles que deles descendem directamente. Mas este será tema de futuras reflexões....

As pessoas da minha idade, mais ano menos ano, são as da geração do Saturno em Caranguejo a fazer quadratura ao Plutão em Balança. Em Portugal dava-se o 25 de Abril, essa revolução de cravos mansos. Como não tenho uma família nada plutónica dramática (o Plutão rege-me a casa V - vá-se lá saber porquê!), o primeiro pensamento da minha mãe foi: "Meu Deus! Agora que eu tenho um bébé vem aí uma guerra civíl e vamos morrer todos! Está tudo acabado!" Acho mesmo que só lhe faltou a mão na testa, em jeito de Dona Maria Matos, em tempos teatrais idos.

Aínda me lembro dos racionamentos do leite, do petróleo, etc. E do que não me lembro, foi-me contado. Recessão. Contenção. Saturno Plutão. Tudo rima. E diz o povo, na sua imensa sabedoria: "Se rima é porque é verdade!".
Cá estamos nós novamente. Na contenção. Na recessão. Na transformação. Cada um saberá para onde.
Da minha observação, em consultas de astrologia e fora delas, a minha geração é uma geração apanhada nas teias de mais uma transformação global. Até aqui nada de novo. É a História a recriar-se a si própria com os contornos inerentes a cada fase de transformação social, económica, psicológica. Mas noto também, que é uma geração com grandes dificuldades em lidar com as figuras de autoridade - tanto os homens como as mulheres. Uma geração com estudos e uma educação muito acima da média, e aínda assim, perdida. Encalhada no limbo entre os valores sociais passados pelos pais educados em pleno Salazarismo: "É preciso é não levantar ondas. Ser honesto e trabalhador. Ter o ramalhete familiar completo: casar, ter filhos, um cão e uma casinha de férias. Um carrinho. Ser respeitado e respeitável perante os outros - sempre os outros. Os outros: vizinhos. Os outros: família. Os outros: lá, das portas para fora. Engolir sapos. Não contrariar o patrão. A vida é mesmo assim...."

Uma geração que deu por si a cumprir os sonhos perdidos e desperdiçados dos pais. E agora? Com quase quarenta anos, com casas e carros e filhos e vidas apresentáveis a todos os outros que não os próprios, que fazer com isto tudo? Quem sou eu no meio disto tudo?

Quando digo EU, não sou eu, Susana, porque coitaditos, os meus pais pariram um Alien. Aínda assim, um Alien que tem passado a sua existência em esforço a tentar ser aceite por eles, a pedir desculpa por não "ser igual aos outros", a esforçar-se sem se aperceber, para ser "igual aos outros", a gastar toda a energia para encaixar na normalidade. Para ser igual aos amigos dos primos, dos primos, do canário, do irmão da cunhada da sobrinha daquela vizinha do 3º andar. A pedir desculpa por não ter uma vida "como as pessoas".

É a história do patinho feio. Quem nunca leu a história do patinho feio? Aquele de quem a mãe tinha vergonha por não ser igual aos OUTROS. Aquele que sentia não caber em lado nenhum. Até que um dia... um belo dia, descobre que não é um pato, é um cisne.

São muitos anos a funcionar com o mesmo chip. Por isso escolho, para ilustrar este texto reflexão desabafo, a cena final de Terminator 2.

Não podia ser mais ilustrativo. Aquilo que nos destrói, também nos pode salvar. O que está velho e gasto deverá perecer para dar lugar ao novo. Toda a cena se passa numa fábrica de metalurgia. Saturno conjunto a Plutão. A fusão dos Titãs! Na Alquimía é o processo de nigredo, de putrefacção. A purificação através da lava plutónica. O Extreminador "Mau", aquele que adoptava todas as formas e voltava recorrentemente, só alí encontrou o fim. É preciso destruir o chip, o último chip (não vá ele ressuscitar sem darmos por ele noutra voltinha do trânsito daí a 14 anos). Abandonarmo-nos à morte. Sem resistência. "It has to end here!", diz o Terminator Schwarzenegger.

Sim, um dia tem que acabar. Um dia os velhos chips têm que ser destruídos para sempre. 

É duro. É muito duro. Sei do que falo...

Para todos os que se encontrem na fase de nigredo, aqui ficam as últimas frases de Sarah Connor no filme:

"The unknown future rolls towards us. I face it for the first time with a sense of hope..."

Aqui fica o link, pois a incorporação, foi desactivada. Restrições Saturnino Plutónicas... já se sabe! ;)
http://www.youtube.com/watch?v=DEMICfWLOig&feature=related

Hasta la Vista!

Susana Vitorino








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